sexta-feira, 30 de maio de 2008

Mais do mesmo

E na varanda esperando a noite, pensando, nesta, se eu a queria de fato...
Se queria mais uma daquelas noites em que tudo parece tão vago, e frio...
Se queria estar naquele mesmo lugar de sempre, sentada naquela janela aonde fumaria o mesmo cigarro, ouviria a mesma música, pensaria nas mesmas pessoas e lembraria os mesmos fatos,as mesmas frases,enfim a mesma vida.
E o relógio não parava, pra que eu pudesse pensar, não parava pra que eu pudesse questionar essa doce intensidade em que vivia.
No fundo aquela voz rouca cantando “ouça-me bem amor... o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões a pó...”, a noite aos poucos tomando conta, as luzes se acendendo uma a uma, e um desejo de fazer diferente...
Aquela noite seria mais que discos, livros, cigarros e pensamentos...
Então eu sairia dali, encontraria talvez aquele amigo existencialista, ele me perguntaria se já li o Sartre que me emprestou,diria que estou lendo e ficaríamos horas discutindo o existencialismo e seus paradoxos, bebendo vodka barata. Iria naquela festa onde estariam muitos amigos,bebendo,dançando, rindo de trivialidades, beberia demais, fumaria demais, dançaria demais, me divertindo como há tempos não fazia.
Diria a eles como são importantes pra mim, combinaria um almoço, ou um filme, finalmente falaria para aquela pessoa que estou apaixonada, aceitaria qualquer proposta, fugiria pra qualquer lugar, conheceria novas pessoas, dividiria minhas histórias...

Mas hoje quero essa mesma noite...









Aila Esteves

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Lily.......

Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

sábado, 3 de maio de 2008

"... pois queríamos ser épicos heróicos românticos descabelados suicidas, porque era duro lá fora fingir que éramos pessoas como as outras..."

Começar de novo

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido

Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...

Outra vez Clariciando

"sou inqueta, áspera, desesperançada, é que eu não sei usar amor, as vezes arranha como se fossem farpas, se tanto amor dentro de mim eu tenho e no entanto eu continuo inquieta, é que eu preciso que o Deus venha antes que seja tarde demais (...)corro o perigo como toda pessoa que vive, e o que me espera é o inesperado(...)"

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A bela e a fera........

Ouve a declaração, oh bela
De um sonhador titã
Um que dá nó em paralela
E almoça rolimã
O homem mais forte do planeta
Tórax de Superman
Tórax de Superman
E coração de poeta

Não brilharia a estrela, oh bela
Sem noite por detrás
Tua beleza de gazela
Sob o meu corpo é mais
Uma centelha num graveto
Queima canaviais
Queima canaviais
Quase que eu fiz um soneto

Mais que na lua ou no cometa
Ou na constelação
O sangue impresso na gazeta
Tem mais inspiração
No bucho do analfabeto
Letras de macarrão
Letras de macarrão
Fazem poema concreto

Oh bela, gera a primavera
Aciona o teu condão
Oh bela, faz da besta fera
Um príncipe cristão
Recebe o teu poeta, oh bela
Abre teu coração
Abre teu coração
Ou eu arrombo a janela