sábado, 13 de dezembro de 2008
Noites com Bethânia...
Lábios de amor
Lábios de atriz
Com que lábios eu te quis
Com que chorei
E ri
Com que lábios me pintei
Com que lábios fui feliz
E depois nem perguntei
Com que paixão
Deixei levar
Entreguei o coração
Ao turbilhão
Do mar
Nas lágrimas que derramei de mim pra mim
Em espetáculo me dei
Mirei no teu espelho e vi o espelho de ninguém
Mas na lábia pequena em que me descobri
Da boca de cena nasci
Pra grande lábia de viver o gozo de existir
E com você Saber enfim
Que sim
Fingir, fingir, fingir
E atingir
O ser
De atriz
domingo, 7 de dezembro de 2008
Café amargo
Encosta a cabeça,não pensa
O que voa não volta
E pouco restou
Na memória confusa
Entre tantos corpos que você já dançou
Você se machuca
Queria dizer, não vá por ai...
Mas o caminho que nego
Você já trilhou
Conheces tão bem a dor
Dor que você procura
Dor que você achou
Quem sabe um dia menina,
Agora descansa pequena
O mundo lá fora
Você já conhece na palma da mão
Já esteve tantas vezes no olho do furacão
Seu corpo já não agüenta
Seu coração cansou
Vira de lado,esquece
Minha pequena,você já voltou.
Aila Esteves
sábado, 6 de dezembro de 2008
Crônica
domingo, 23 de novembro de 2008
Não chegue na hora marcada
Assim como as canções
Como as paixões
E as palavras...
Me veja nos seus olhos
Na minha cara lavada
Me venha sem saber
Se sou fogo
Ou se sou água...
Amor, meu grande amor
Me chegue assim
Bem de repente
Sem nome ou sobrenomeSem sentir
O que não sente...
Pois tudo o que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim, até o começo...
Amor, meu grande amor
Só dure o tempo que mereça
E quando me quiser
Que seja de qualquer maneira...
Enquanto me tiver
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Me reconheça...
Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...
Amor, meu grande amor
Que eu seja
O último e o primeiro
E quando eu te encontrar
Meu grande amor
Por favor, me reconheça...
Pois tudo que ofereço
É, meu calor, meu endereço
A vida do teu filho
Desde o fim até o começo...
Angela RoRo
domingo, 24 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Redoma lilás
"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido."Caio F.
"Fica. Eu sei que vai doer, sempre dói. Vou jurar mil vezes que vai ser diferente. Você vai me olhar com incerteza, mas vai ceder. Eu sei. Sempre sei. E no fundo tenho a certeza que não será diferente coisa alguma. As mesmas frases serão ditas, o mesmo ato consumado. Mas é essa merda de esperança que cutuca a gente, cara. Continuo jurando mentiras e te fazendo acreditar. Mas não me julgue querido, porque no fundo você gosta disso. Eu sei.
Vamos recomeçar assim, como se não soubéssemos do precipício que estamos nos jogando, como se precisássemos um do outro. E de fato precisamos. Eu preciso dessa ilusão de te ter. E você da mesma ilusão. Sei que não agüentaria me ver longe, nem me perdendo com outro. E não me venha falar que isso é amor. Quero acreditar que o amor não é sujo assim, não é vulgar. E te digo isso porque nunca quis o amor. Sei que vai me perguntar onde que erramos, e digo, não erramos. Eu sabia do caminho que escolhi, sabia da falta de luz, da falta de Deus e sentido. Não, também te digo que nada perdemos, não havia o que perder, não se perde o que não tem.
Ainda tenho essa vontade louca e estranha de voltar, de querer ir embora mais uma vez,como se mudar de lugar,de casa, eu fosse mudar também, como se eu fosse e o vazio, a dor e essa culpa fossem ficar.Pura ilusão,vontade que não cabe.É um vazio pesado entende?É uma dor dura. É a culpa de não haver culpados. Eu fiz o que podia, não me venha com essa de que ainda há uma chance, não será diferente, nunca será. Por mais que eu tente, e tento,o destino não muda, cara.Não é tão fácil cortar o cordão umbilical,a sua palavra de tentativa já me soa como algo falho.Você não me entende.Sei que isso tudo te dói,mas é inevitável.Essa dor que te prende a mim,essa dor que te mantém,e isso quem sabe,é você."
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Que te valha
para Adriel
(...)Não, meu amor, eu não tenho essa visão de arte que você tem. Esse seu olhar crítico e cítrico. Eles levaram toda minha poesia. E o que sobrou foi esse olhar triste e vago que carrego.
Também não tenho essa delicadeza nas mãos, essa maneira suave que você tem de tocar. Levaram minha sensibilidade, toco sempre de uma forma bruta, áspera.
Não espere de mim meu bem , coisas grandes e lindas. Já não sei usar amor. Não, isso eles não levaram. Eu mesma entreguei. Até tento,eu juro,procuro o amor, mas não encontro em nenhum livro de Drumonnd, nenhuma canção do Chico, em nenhuma comédia romântica, não encontro em mim.
Dizem que você tem que chegar ao fundo do poço, para voltar com tudo.Eu cheguei, mas não voltei. Encontro-me aqui com esse gosto amargo na boca, com esse brilho fosco nos olhos. Eu desacreditei. Estranho te dizer isso, porque não sei se cheguei a acreditar.
Você ainda tem essa voz doce, com palavras sempre difíceis e bem colocadas. Minha voz já tão rouca e cansada, meu vocabulário gasto e sem nexo. Talvez o preço a pagar, quando se joga pérolas aos porcos.
Lembro-me de nós,tudo que fazíamos, queríamos, dos sonhos bonitos, das metas bem traçadas. Tento saber onde que tudo isso foi parar, que momento exato isso acabou, mas minha cabeça está cansada demais pra tentar lembrar.
Por dizer a verdade, não quero pensar, pra não ter que saber se é certo carregar essa esperança. Porque eu ainda a tenho. Foi o que eles não tiraram de mim. Não a quiseram. Talvez já soubessem que essa mesma esperança que motiva, também consome e estagna.
E como num ritual, todo dia acordo, olho-me no espelho com certa esperança de que veja algo novo. Mas o novo não vem. Sempre esse rosto pálido, cansado, triste. Nenhuma ruga, nenhuma marca, sinal de que o tempo custa a passar, sinal de que o espelho não mostra as marcas de dentro.
E mesmo que isso só valha a você meu bem, fique tranqüilo, eu ainda quero a vida.Poder acreditar que existe algo por trás daqueles fins de tarde de inverno, onde o céu fica mais laranja, a lua mais clara e os sonhos mais reais(...)
