sexta-feira, 20 de junho de 2008

Que te valha


para Adriel


(...)Não, meu amor, eu não tenho essa visão de arte que você tem. Esse seu olhar crítico e cítrico. Eles levaram toda minha poesia. E o que sobrou foi esse olhar triste e vago que carrego.
Também não tenho essa delicadeza nas mãos, essa maneira suave que você tem de tocar. Levaram minha sensibilidade, toco sempre de uma forma bruta, áspera.
Não espere de mim
meu bem , coisas grandes e lindas. Já não sei usar amor. Não, isso eles não levaram. Eu mesma entreguei. Até tento,eu juro,procuro o amor, mas não encontro em nenhum livro de Drumonnd, nenhuma canção do Chico, em nenhuma comédia romântica, não encontro em mim.
Dizem que você tem que chegar ao fundo do poço, para voltar com tudo.Eu cheguei, mas não voltei. Encontro-me aqui com esse gosto amargo na boca, com esse brilho fosco nos olhos. Eu desacreditei. Estranho te dizer isso, porque não sei se cheguei a acreditar.
Você ainda tem essa voz doce, com palavras sempre difíceis e bem colocadas. Minha voz já tão rouca e cansada, meu vocabulário gasto e sem nexo. Talvez o preço a pagar, quando se joga pérolas aos porcos.
Lembro-me de nós,tudo que fazíamos, queríamos, dos sonhos bonitos, das metas bem traçadas. Tento saber onde que tudo isso foi parar, que momento exato isso acabou, mas minha cabeça está cansada demais pra tentar lembrar.
Por dizer a verdade, não quero pensar, pra não ter que saber se é certo carregar essa esperança. Porque eu ainda a tenho. Foi o que eles não tiraram de mim. Não a quiseram. Talvez já soubessem que essa mesma esperança que motiva, também consome e estagna.
E como num ritual, todo dia acordo, olho-me no espelho com certa esperança de que veja algo novo. Mas o novo não vem. Sempre esse rosto pálido, cansado, triste. Nenhuma ruga, nenhuma marca, sinal de que o tempo custa a passar, sinal de que o espelho não mostra as marcas de dentro.
E mesmo que isso só valha a você meu bem, fique tranqüilo, eu ainda quero a vida.Poder acreditar que existe algo por trás daqueles fins de tarde de inverno, onde o céu fica mais laranja, a lua mais clara e os sonhos mais reais(...)


Aila Esteves

5 comentários:

Paulo Monttero disse...

Gatinhaaaa
daqueleas tardes laranjas ficaram vc e ele.... Aquilo que se entende por sintonia ou simples achado! Ah, quero mais do mundo... mas um mundo com um pouco mais de vc... e do Driel tb pq... né...
kakakaka
bjsssssssssss

Anônimo disse...

Ah... um texto maravilhoso.
Ler o que vc escreve se assemelha a ouvir uma boa música.

Beijos.
Rodrigo.

Anônimo disse...

Oi Aila! ^^

Muito bonito! gosto do jeito que escreve!

beijo.

- Fran! disse...

mais tem um talentoo essa minha amiga!
rsrsr

parabéns flor!
beijoos

Unknown disse...

Muito legal seu texto Aila. Vc sabe mesmo descrever sensações através de palavras. Te dedico.