domingo, 1 de junho de 2008

Pretérito mais-que-perfeito


Naquele momento as maçãs de seu rosto ficaram rosadas, seu corpo queimava como queima o sol do meio-dia.
Teria explicação?Se ela pudesse responder certamente diria que não. Diria que tem coisas que simplesmente acontecem. E aconteceram... Talvez um dos presentes da existência de que tanto falava.
A madrugada fria, em contraste com a temperatura de seu corpo... seu ventre pulsava tão forte quanto seu coração.A cada instante parecia que seu corpo queimava mais e mais,e as mãos frias dele pousavam como uma pluma,que de tão leve parecia ter medo de tocá-la , e tinha. Os lábios correspondiam às vontades do corpo, vontade agressiva de amar
Parecia-lhe que o mundo parara. Será que não?
Sempre pensava na diferença entre ser e estar, naquele momento era, e não pensava nisso, sentia ser.
Suas mãos agora aquecidas pousavam em seus seios... Que aos poucos foram ficando rígidos e úmidos, a boca dele já os tocava, sua língua passeava como alguém que não tem pressa de achar, por não saber o que procura.
Ela em seu intimo amava-o naquele momento; e sua boca, seus olhos, sua face, seu corpo pediam mais.
E ele como se pressentisse continuava, continuava a amá-la naquele momento em seu íntimo.
A neblina ou a bruma (nunca soubera a diferença) roubara a cena, e tudo parou, os beijos, as mãos, o corpo. O olhar dele penetrara tão fundo nos seus, que possível seria ler sua alma.
Olhava-o. Tão diferente e abstrato seu rosto, parecia não existir, mas sim estava ali, e ali permaneceu. Queria lhe dizer algo, mas não podia quebrar o silêncio e desfazer a magia. Tocou-o. Suas mãos percorreram olhos, boca, nariz, nuca. Mas os olhos dele continuaram imóveis. A troca de olhares cada vez mais intensa colocara-lhe medo... Um olhar meio amêndoa, nem amargo nem doce.
O silêncio quebrado com um suspiro profundo, fez com que ele sorrisse lírios e ela retribuísse.
Agora sua permanência calada fez suspeita a certeza, e certeza a suspeita.
Estava tudo tão poético, e assim continuaria.
O agora, daqui a pouco, seria agora novamente.
E quando o sol viesse na manhã de outono, tudo voltaria a ser como antes...
Um moço bonito.
E uma menina feliz.





Aila Esteves

Abril/04

Um comentário:

Paulo Monttero disse...

Fala meu xuxu!
hum... nao... sem gosto né?
fala minha empadinha de camarão!!!
felicidade é uma coisa que precisa ir se completando atraves de pequenos pedaços... e um desses pedaços que faz parte da construção da minha felicidade, é te ver bem!!!
VC MERECE O CEU!

TXAI!!!!