quarta-feira, 18 de junho de 2008

Que me valha


Para ler ao som de Billie Holiday


"Hoje acordei de um sonho estranho.
Percebo que eu num tenho mais aquela vida... Aquela terrível vida feliz.
O que era aquilo?Medo Amor Comodismo?Talvez mais uma fuga, já que minha vida é feita delas. Lindas fugas. Nesse tempo, que divido em antes e depois do “fim” daquela vida, não me encontrei ainda. Engraçado como as pessoas são. Sim, falo por mim.
O que foi jurado para sempre, de repente acaba. Mas como?Isso não era para sempre?Pois é meu bem, acaba. Sim, nós temos disso. Eu ainda tenho que ser forte... Tenho todo o direito de estar perdida ainda, de me desesperar, descabelar, de chorar, de me apoiar em quem aparecer,de me perder em sonhos e fantasias escapistas.
Aqui dentro não sobrou nada daquela menina, nem daquela mulher. Pergunto-me, e agora?Eu sou o quê?Quem?
O que mais me cansa é essa máscara que escolheram pra mim. Essa que aceitei.
Não, Não é verdade. Às vezes até gosto, o que acontece é que dói. Dói como agulhas entrando em mim, mas não sangram, porque eles sabem como espetar. Afinal eles te querem forte, o que fazem é só te doer.
Sim, como ela agrada com aquele jeito de Moça Forte Quase Feliz Que Sabe o Que Quer... (o que me soa tão irônico)... Forte.
Por que eu tenho que ser forte.
Não sei onde me achar, não sei se devo mais procurar.E se eu passar minha vida,com essa máscara pregada?Tenho que fingir sempre que estou apaixonada por alguém?Por que no fundo sou egoísta demais pra isso,sei usar disso muito bem.Mas não sei ser feliz.A superfície é muito colorida e bonita.Mas o fundo é escuro demais,amargo demais.
Para cada pessoa faz-se um personagem. Para mim um personagem.
Ah sim os artistas, sempre tão inteligentes e egoístas.
E aquela voz sempre dizendo “seja forte”
E sou.Claro.Tão simples,porque eu não seria?!
Creio não poder escrever mais,o personagem que está aqui agora,já não acredita em tudo que escrevi aí(...)"





Aila Esteves

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